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| "Fazendeiro de Trigo" - Joe Jones Pintor norte americano (1909-1963 |
Um texto muito interessante sobre a vida prática na polĂtica. O ensaio desenvolve um diálogo entre dois conceitos opostos: a democracia deliberativa e o ativismo. O sentido da narrativa Ă© apontar que essa relação acena para a permanĂŞncia de desigualdades institucionais. Em resumo, a democracia deliberativa supõe um debate argumentativo, um respeito ao processo e Ă s ideias. O ativismo, por sua vez aponta para um senso de justiça garantista. As duas ferramentas de articulação popular pressupõem a participação da sociedade, mas se diferem quanto Ă s dinâmicas de eficácia. Vejamos.
Segundo o autor, a proposta Ă© refletir e nĂŁo recomendar um lado em detrimento de outro. Esse diálogo entre dois mundos revela uma tensĂŁo crĂtica e uma conclusĂŁo: nĂŁo há complementariedade entre as duas opções. O autor faz uma distinção entre os dois movimentos numa performance de gĂŞnero e esteriĂłtipos. Pra ele, a democracia deliberativa simboliza o homem com seus traços de dominação, polĂtica, ideias, normativas, processos e virtude cidadĂŁ. Já o ativismo Ă© apontado como a mulher representando a paixĂŁo social, raiva e frustração. Evita a deliberação e requer ações mais eficazes como: panfletagem, movimentos de rua, manifestações e protestos. Nesse debate de sentido, o democrata enxerga o ativista como um agente que luta por interesses baseados em pressões, e por isso nĂŁo difere tanto dos traços deliberativos. O ativista se defende que sua luta Ă© pelo bem comum.
O debate mais interessante do texto está na reflexĂŁo acerca dos discursos entre as suas ideias e como elas se aprofundam na sistemática das desigualdades. Segundo o autor, o ativista possui uma narrativa mais "extremista" e o discurso deliberativo Ă© tratado como "razoável". No mundo real, Ă© esse discurso razoável que participa das decisões polĂticas. A democracia deliberativa neste sentido, apresenta procedimentos deliberativos que nĂŁo agregam e sim, excluem. As decisões, apesar de possuĂrem participação de agentes da sociedade, nĂŁo apresentam as tomadas de decisões por meio de pessoas comuns. O autor afirma que essas decisões dos poderosos perpetuam a desigualdade estrutural. Nessas circunstâncias, os cidadĂŁos estĂŁo do lado de fora das reuniões protestando. Essa Ă© a imagem criada para o ativista.
Por isso, a inclusĂŁo formal dos atores polĂticos nĂŁo Ă© suficiente. É preciso que haja participação popular efetiva nas decisões de poder. O ativista sugere que essas reuniões deliberativa estĂŁo carregadas ou viciadas de "vieses estruturais de desigualdades", ou seja, pessoas brancas, de classe mĂ©dia e saudáveis decidem as vidas de pessoas pobres, doentes e perifĂ©ricas. É o que se discute como "lugar de fala". As pessoas que sofrem precisam participar das demandas estruturais. No Ăşltimo tĂłpico, apontado como "Discurso homogĂŞneo" , a democracia deliberativa promove encontros formaos e criam poucas aberturas para ações efetivas de revisĂŁo das estruturas decisivas. Essa via perpetua desigualdades sob o pĂŞndulo da legitimidade.
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YOUNG, Iris Marion. Desafios ativistas Ă democracia deliberativa. Revista Brasileira de CiĂŞncia PolĂtica, nÂş13. BrasĂlia, janeiro - abril de 2014, pp. 187-212.
No capĂtulo oito do livro, o autor
analisa o Direito pela visĂŁo da antropologia interpretativa e de como os fatos
sociais interagem com as leis. Após uma extensa análise histórica e
metodolĂłgica, destaca-se que cada sociedade possui seus ordenamentos e estes se
moldam às culturas locais. Essa relação interfere profundamente no modelo
jurĂdico.
O pesquisador discute o Direito como um
fato social, comparando-o com a arte e a religiĂŁo por construir-se nos
contextos das práticas culturais. A crĂtica do autor está na falta de um
caminho fĂ©rtil de colaboração entre os antropĂłlogos e advogados. A longa abordagem do autor se dá em relação Ă banalização da interpretação dos fatos, ou seja, nĂŁo "parecem realidades tĂŁo puras". Compreende-se aqui que o autor acena para uma autorreprodução de eventos pela via do formalismo ou do automatismo jurĂdico. Na sua visĂŁo, os advogados ficam distantes da reflexĂŁo antropolĂłgica e apenas se sentem como "guardiões da lei". Para Geertz, o Direito Ă© uma reprodução. Considera que o Direito muda conforme os momentos histĂłricos e que o grande desafio está no modo de operação do direito frente Ă s mudanças culturais, uma vez que o Direito nĂŁo Ă© uma lei espiritual, nem uma receita.
Para lembrar que o Direito muda ao passo da cultura, Geertz narra uma história de um trabalhador de certa aldeia que teve sua mulher levada por outro homem. Não havia leis locais que resolvessem tail lide. Então, as crenças populares teriam mais autonomia diante do ordenamento da aldeia.
O autor faz ainda uma análise terminológica entre três culturas para provar que o senso de justiça, verdade e prática são conceitos mais amplos e dependem de uma série de conexões culturais. Esse estudo culmina com a lógica do direito romano.
haqq - significa verdade para os islâmicos
dharma - dever para os Ăndicos
adat - prática para os malaios
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| Greve na Fábrica da Renault em Flins, 1982. |
Entretanto, mesmo reconhecendo a grandeza dos movimentos histĂłricos e culturais, o autor afirma que esse recorte torna-se apenas um estudo retĂłrico, pois legitimou-se o relativismo cultural como praxis acadĂŞmica. Dessa forma, diante do texto Ă© possĂvel desdobrar uma sĂ©rie de questionamentos acerca do poder atribuĂdo ao Direito pelos sistemas ideolĂłgicos. Por qual motivo nĂŁo há uma cooperação entre os saberes? Sendo a Antropologia tĂŁo relevante para a produção de normas, legislações e jurisprudĂŞncias, por qual razĂŁo ela Ă© compreendida como uma ciĂŞncia menos relevante na integração do conhecimento jurĂdico? Seria uma forma de minimizar as ciĂŞncias sociais em face de uma lĂłgica mais instrumentalista e prática do Direito? O link da PUCSP discorre brevemente sobre a questĂŁo e ajuda a compreender melhor a dinâmica entre Antropologia e Direito. No livro "Direito e Antropologia", Henrique Carnio apresenta uma visĂŁo do nascimento do Direito atravĂ©s dos povos primitivos. No site "Antropologia CrĂtica" há uma sĂ©rie de abordagens que visam complementar o estudo dessa relação.
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GEERTZ, Clifford. O saber local: fatos e leis em uma perspectiva comparativa. In GEERTZ, Clifford. O Saber Local - Novos Ensaios em Antropologia interpretativa. RJ: Editora Vozes, 2004.
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GEERTZ, Clifford. O saber local: fatos e leis em uma perspectiva comparativa. In GEERTZ, Clifford. O Saber Local - Novos Ensaios em Antropologia interpretativa. RJ: Editora Vozes, 2004.
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The Valley of the Shadow of Death
George Inness - 1867
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Todos nĂłs temos monstros que nos assombram dia e noite. SĂŁo traumas, vĂcios, depressões e medos que nos aprisionam. A luta Ă© árdua e penosa. Infelizmente, o silĂŞncio, a vergonha e a desconfiança nos acompanham na trajetĂłria da cura. Como Ă© triste ouvir de alguĂ©m que "depressĂŁo Ă© bobagem, que Ă© preguiça ou invenção da sua cabeça". A morte fica cada vez mais prĂłxima desse jeito.
Quero a delĂcia de poder sentir as coisas mais simples.
Manuel Bandeira
O episĂłdio com a cantora Demi Lovato sĂł reforça a necessidade do diálogo. Precisamos falar mais sobre isso. Precisamos prestar mais atenção nos nossos cĂrculos de famĂlia, trabalho, amizade e principalmente, e isso Ă© urgente; precisamos de mais afeto. Afeto nas relações, afeto na aprendizagem, afeto nas instituições e afeto nas ruas. NĂŁo nos escandalizemos com o afeto. NĂŁo nos espantemos com o beijo, com o abraço ou com as mĂŁos entrelaçadas. A condição humana Ă© desafiadora. CaĂmos e levantamos todos os dias, senhores. Todos os dias. Lembrai-vos da passagem que diz: "nĂŁo Ă© contra homens de osso e carne que haveis de lutar". É com a prĂłpria condição humana. É contra esses monstros interiores que assolam vidas e destroem sonhos. Há dias, dias como esses do nosso tempo, que muitos nĂŁo conseguem sair da cama. Mas lá estamos nĂłs: cansados, abatidos, frios e melancĂłlicos pedindo nas entrelinhas um pouco mais de amor e compreensĂŁo. A contemporaneidade Ă© um momento muito complexo da realidade humana. Há uma mutação conceitual gigantesca que interfere na nossa prĂłpria existĂŞncia aqui. E nĂŁo estamos preparados para enfrentar esse turbilhĂŁo de emoções. SĂł há uma saĂda: a comunhĂŁo. Precisamos viver juntos, precisamos conversar mais e criar pontes de diálogo. Demi Lovato Ă© tĂŁo jovem quanto eu e a notĂcia de mais uma crise me abalou. Eu conheço meus monstros e brigo com eles para me manter de pĂ©. SĂŁo muitas as pressões: o sucesso profissional, a perfeição nas redes sociais, as cobranças familiares e o autoflagelo.
Dor não tem nada a ver com amargura. Acho que tudo que acontece é feito pra gente aprender cada vez mais, é pra ensinar a gente a viver. Desdobrável. Cada dia mais rica de humanidade.
Adélia Prado
NĂŁo fique sĂł. Preencha sua casa de mĂşsica, ame ao máximo e converse com quem puder. No Brasil, o suicĂdio Ă© a quarta maior causa de morte entre homens e mulheres de 15 a 29 anos. É uma situação muito triste e que precisa ser combatida. Ă€s vezes Ă© difĂcil reconstruir, recomeçar ou simplesmente falar sobre o assunto. Que os anjos da luz nos ajudem a viver cada dia na resistĂŞncia. Que mesmo quebrados por dentro, tenhamos força para colar os pedaços. Faça tudo em nome do amor. Lembre-se sempre: vocĂŞ possui dons incrĂveis e o mundo espera que vocĂŞ os coloque em prática. Certa vez Allan Poe disse: "Os demĂ´nios devem dormir, ou eles nos devorarĂŁo; devem ser mergulhados no sono, ou nĂłs pereceremos!" Os monstros sempre existirĂŁo, mas Ă© preciso dominá-los.
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| Giovanni da Modena, The Inferno (detail),1410, Basilica di San Petronio , Bologna) |







